sábado, 22 de dezembro de 2012

Dois Assuntos E Alguma Lucidez. Viva!

Na verdade existem muitos assuntos para os quais uma nova postagem seria interessante, e, na verdade a palavra "interessante" para mim é de uma incomensurável imparcialidade. E sinceramente as imparcialidades me perturbam. Pois em minha imodesta visão, há temas, acontecimentos e fatos com os quais a imparcialidade não combina. Alguns, ou melhor muitos deles merecem e precisam de um posicionamento firme de quem deles toma conhecimento. Imaginemos se o presidente Obama resolve simplesmente achar "interessante", e de forma imparcial responder a mais um ataque de um "perturbado mental" a uma escola infantil. Não se dirigindo ao povo e colocando-se ao lado de todos os atingidos, o presidente seria simplesmente execrado. Ele tem o dever de se posicionar. Uma pessoa, às vésperas da comemoração cristã mais emblemática, o nascimento do "profeta" maior de milhões de seguidores, entra em uma escola e assassina crianças e mais seis adultos. Não há como ser imparcial. Representantes públicos eleitos pelo voto popular, utilizando prerrogativas que apenas a eles beneficiriam, decretam o não cumprimento de determinação judicial que retira mandatos representativos de seus pares comprovadaemnte flagrados em atos ilícitos e criminosos. Prometem "asilo político", aos condenados, em edificio construído para abrigá-los, mas temporariamente e custeados, todos eles por nós. Há como ficar imparcial? Quando uma pessoa alçada à condição de nosso porta-voz, de representante político em questões de nosso interesse se coloca acima da lei, devemos nos posicionar de forma incisiva contra tal postura. Mas, em uma sociedade que muito facilmente se entrega a festejos e devaneios superficiais em torno de novelas, futebol e álcool, não encontraremos coro uníssono que repreenda ou mostre a esses senhores arvorados em suas posições privilegiadas, a nossa não concordância com suas falas. Não. Essa sociedade não tomará seu tempo tão caro e precioso, lendo, aprendendo e consequentemente questionando e se posicionando. Definitivamente não. Sinceramente, eu gostaria que essa postagem fosse leve, esperançosa e muito otimista. Estamos em um período em que nos colocamos mais receptivos e propícios a acreditar em transformações positivas. É o aniversário de alguém, há festa e celebração da alegria por esse nascimento. Mas, devíamos prolongar em nossas mentes essas sensações e buscarmos o melhor do "humano' que habita em nós. A todos que permitirem-se, vai um Feliz Natal e olha que o mundo não acabou...! (Ofereço através de meu texto, minha homenagem às vítimas de Newtown)

sábado, 17 de novembro de 2012

A Grande Farsa

Uma certa preguiça mental, pior, uma apatia anda ocupando as mentes em geral. Uma apatia que se reflete em comportamentos padronizados e nada voltados para questionamentos, debates salutares ou conclusões positivas e aplicáveis. Deixar tudo como está parece ser a melhor saída. E nem sabemos saída de quê, ou para quê. Não sabemos de mais nada, mesmo sabendo tudo. Estamos cercados de mecanismos e arquivos repletos de dados sobre quase absolutamente tudo. Mas, não queremos nos cansar com pensamentos, com elaborações complexas a respeito do mundo à nossa volta e de nossos comportamentos. Para quê? Para sofrermos? Não precisamos mais sofrer. Alcançamos o melhor de nossa evolução. Não é mesmo! Vamos desfrutar então. Vamos começar ao meio dia nos anúncios de tv, nos embriagando. Mas, com cuidado ao dirigirmos. Contradição e hipocrisia em apenas um spot para venda de cerveja. Ah! vamos vender para as nossas crianças, ok! As cervejas, e nossa apatia irá junto. Vamos convidar para vender, vender e vender tudo o que for possível. Garotos e garotas propaganda do momento, da moda. Os "up" ou "tops". Vamos! Eles e elas não devem e não podem questionar, devem apenas lucrar. Para si e para o seu anunciante. Vamos chamar o modelo ideal, bem comportado, saudável e a perfeição; desprovidos de idéias próprias. Vamos! Entregar a quem amamos. Crianças, jovens, adultos e idosos, o nada. Vamos! Vamos juntos diante do grande senhor que nos guia e orienta, entregar de joelhos nossas mentes. Hoje, amanhã e sempre! Vamos simular a satisfação e a felicidade total em perfis virtuais. Vamos buscar nossos maiores e melhores amigos e amigas, bem distante. Vamos! Vamos mentir, mentir e mentir para nós mesmos. Aperfeiçoarmos tão bem nossa sórdida farsa que nós mesmos acreditaremos nela. Vamos nos drogar, nos entorpecer e fingir que somos humanos e elevados e perfeitos. Que sorte a nossa, pois nossas vidas físicas não são eternas. Por enquanto...!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Exercício Político e a Cidadania

Estamos mais uma vez às vésperas de uma eleição. Dessa vez os cargos em disputa são em nível municipal em um país com mais de cinco mil municípios, os preparativos para a realização do pleito eleitoral exigem procedimentos muitas vezes dignos de uma aventura. Um país que usando auxílio de tecnologia avançada implantou o processo de votação mais preciso e rápido de apuração do mundo. País que exporta para nações de várias partes do mundo essa sistemática. Um orgulho nacional! Deveria ser também um orgulho os resultados advindos de todo o empenho realizado para a escolha dos administradores públicos, mas não é bem assim. Vivemos ainda em uma nação onde a “coisa pública” é tratada por muitos como “coisa privada”. Cotidianamente acompanhamos denúncias das mais variadas, de mau uso de recursos públicos. São desvios de verbas cometidos das mais diversas, criativas e hábeis formas, por servidores temporários (prefeitos, vereadores e outros) e por servidores admitidos a partir de concursos. São fraudes envolvendo desvio ou roubo de medicamentos, com internações forjadas ou procedimentos não executados. É desvio de recursos para a merenda escolar. Superfaturamento para a obtenção de equipamentos para uso em repartições oficiais. Só para citar alguns. São inúmeros e diversos os meios e as formas para apossarem-se do dinheiro que pertence à população, pois esta o gera a partir de seus impostos recolhidos. Nossa sociedade precisa urgentemente fazer-se presente de fato, quando o que estiver em jogo for o seu interesse. E ter a consciência plena de ser a detentora e a produtora dos recursos que para si devem retornar. A palavra cidadania, tão em moda, precisa deixar de ser cíclica como são todos os modismos e passar a ser de uso cotidiano também. Assim como são as articulações de todos os inescrupulosos que buscam lucros onde deveriam apenas e somente proceder com seus deveres. Assim, nós a sociedade que contribui e a quem deve retornar em forma de serviços e benefícios, devemos usar com a plenitude que nos garantem todas as leis e princípios universais, os nossos direitos. Pouco nos informamos. Permitimos que o comodismo nos mantenha distantes dos processos que a nós mesmos beneficiariam. Ficamos à parte quando na verdade apenas o exercício diário e a busca da cidadania plena permitiriam o acesso a tudo o que produzimos e mantemos com nossos recursos. Aponto o processo do pleito municipal nesse texto. Mas sabemos o quanto em todos os diversos níveis em nosso país estamos ainda longe de uma harmonia entre o “público” e o “privado” quando se trata de uso de recursos públicos. Assistimos agora ao processo de julgamento do “mensalão”, para exemplificar. Sou pessoalmente um dos maiores críticos em relação à forma como algumas categorias de servidores oficiais são privilegiadíssimas em suas posições, quando comparadas à grande maioria da população. Muitos desses parecem viver em “suiças” perfeitas, lindas e utópicas e isso tudo em solo tropical. O Brasil é ainda uma sociedade em formação, mas não estamos mais em séculos passados. Estamos em plena era dos maiores avanços científicos e tecnológicos e injustamente os avanços sociais andam em passos lentíssimos. Não é favor algum sermos bem atendidos em qualquer espaço público que seja. É um dever do Estado que sustentamos. Nós somos o Estado juntamente com as organizações oficiais criadas para servir-nos. Quando em algum momento de sua vida uma pessoa postula tornar-se um servidor público, junto com esta decisão deve estar também uma plena consciência de que o faz espontaneamente e que sua função a partir de então terá como finalidade “servir” ao cidadão. Servir aqui no sentido nobre e elevado do termo. Os tempos onde o servir era apenas reservado aos escravos e serviçais quase desumanizados, foram sepultados. Mas desafortunadamente ainda testemunhamos práticas quase medievais. O Brasil é um continente, nós os residentes em grandes cidades temos possibilidade de buscar nossos direitos, contudo, ainda acontecem injustiças terríveis e várias, basta corrermos os olhos por jornais e demais veículos de comunicação. Disso devemos nos envergonhar e usarmos nossa melhor energia e educação formal para mudarmos. Hoje, nesse momento estamos diante da possibilidade de exercermos o único processo justo e equilibrado para escolhermos aqueles que serão os tutores de nosso bem maior, o exercício da cidadania plena. Servidores temporários escolhidos por nós façam-se merecedores da confiança depositada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Futebol, Educação e Civilidade

Eu gosto de futebol. "...coisa linda é uma partida de futebol". Verso de canção mais que hit da banda Skank. A estética e a prática da mesma nem sempre se harmonizam. Uma partida envolvendo os dois clubes mais populares do estado de Minas Gerais aconteceu no tradicional e rejuvenescido estádio Independência (26/08). Vou começar por uma foto publicada a pouco tempo em um jornal popular estilo tablóide. A foto mostrava torcedores de um clube, com roupas e bonés característicos, em uma fila de venda de ingressos, mas o que me chamou a atenção foi a pose dos fotografados. E a péssima, ou talvez maliciosamente proposital escolha da redação. Em busca de estímulo a mais vendas, imagino. Na foto os torcedores apareciam levantando o dedo médio em sinal mais que expressivo de ofensa e escárnio. E raiva belicosa. Era a última página do jornal e a foto tomava mais da metade da mesma. A poucos dias assisiti na tv, em um programa que comenta e debate os fatos envolvendo o futebol, a torcida se manifestando contra marcações que a desagradavam. Homens adultos, vários tendo ao seu lado crianças, seus filhos, imagino. Proferiam palavrões que a edição de aúdio cuidou em ocultar. Mas sabemos quais eram. E o mais emblemático e grotesco é que todas as palavras eram gritadas em bom som diante de policiais voltados de frente para a torcida, ali postados para preservar a segurança da mesma. Por acaso são aceitáveis tais fatos? Se nos consideramos civilizados, não são. Jamais deveriam ser tomados como naturais, pois nossas reações psicológicas, racionais que somos, podemos controlar. Chingamentos e ofensas, descontrole e violência. Diante de crianças e de policiais e proferidos contra nossos iguais. Alimentam apenas o pior de nosso instindo animal. As paixões inexplicáveis cegam. E assim comporta-se a  multidão sem a lucidez necessária nesses momentos. A partida que citei no início, começou para os meus ouvidos e sentidos no sábado quando em uma emissora de rádio bastante popular que transmite jogos de futebol. Ouvi não de uma pessoa qualquer,  mas sim de um privilegiado e bem posicionado comentarista. Ele criticava com muita veemência, alegando até uma possível demostração das autoridades de sua incapacidade em controlar as massas, que os mesmos estavam equivocados em fazer realizar a partida citada com apenas uma torcida. Imaginemos o que aconteceria caso estivessem lá as duas torcidas! O comentarista em sua crítica, equivocada. Posicionou-se como nós em nossa cultura insistimos em nos comportar. Escondemos nossa cabeça assim como o avestruz diante do perigo iminente. Nos enganamos fingindo estar tudo em ordem. Não está. A violência está imperando e se tornando a senhora de nossa sociedade. Vitimando indistintamente culpados e inocentes. Jovens, crianças e adultos. Assassinando em nós a "humanidade" superior que deveria nos guiar. Violência não apenas física. As distorções estão sendo tomadas como a regra. Cotidianamente crimes graves são cometidos e comentados nos meios de comunicação com a passividade assustadora de anestesiados. Anestesiados também estão os controladores de jornais, rádios e TV´s, por permitirem enfoques oportunistas e simplistas dos fatos. E anestesiada a socieade, que não busca o questionamento necessário para que de fato seja respeitada. Quando de fato nos educaremos? "...coisa linda é uma partida de futebol"

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um Caminho, Dois Homens Incomuns

Michelângelo Caravaggio e Giorgio De Chirico. Dois homens, artistas e provocadores. Vivendo e  produzindo em tempos diferentes. Estilos diferentes dado ao período em que viveram. Um criou e experimentou a vida nos longínquos últimos anos do séc.16 e início do 17. O outro nasce no séc 19 e produz a maior parte de suas obras no séc. 20. Homens vivendo entre períodos de mudanças. O primeiro passando a utilizar a luz de uma forma inovadora. O outro, precursor do surrealismo. Figurativo, Caravaggio fez de seu talento o seu ganha pão de fato. Envolvido em polêmicas, com uma vida desregrada. Teve em seus trabalhos o suporte para sustentar-se, nem sempre como grandes mestres mereciam.  De Chirico, metafísico, melancólico, nietzchniano. Buscas, interrogações e as eternas dúvidas humanas. As cenas sagradas, o Cristo, São Gerônimo ou mesmo a Medusa; Caravaggio também não se liga a De Chirico em nivel metafísico? Caravaggio, desejando apenas viver  em seu tempo e a seu modo? De Chirico, tal qual arqueólogo pictórico e assim como a enigmática esfinge, buscando o encontro com o "superior" em nós. Buscando decifrar-se. Os dois lado a lado a partir de suas obras, suas complexidades como homens questionadores e nada acomodados em suas existências. A inquietação é o componente primordial para a criação e inovação. Nossa essência e em especial, a dos artistas, também é naturalmente inquieta. Mas, infleunciados e engessados que somos, a maioria por nossa própria socialização, pois tendemos a imitar e seguir o grupo na grande maioria das vezes; algemamos a inquietude. E, sem a inquietação, sem a fagulha acesa em nós da dúvida e por isso dos questionamentos, não caminhamos. Não iremos em direção ao crescimento e elevação. Pode parecer contraditório. Mas, as armadilhas que preparamos para nós mesmos durante nosso processo de evolução material e metafísico, somente por nós podem ser desativadas. São tempos difíceis esses que vivemos, ou terá sido apenas o que de melhor conseguimos erigir? Torres de concreto e metal, De Chirico e os espaços preenchidos por construções arquitetônicas que marcam ocidente e oriente. Caravaggio e a iluminação, usando pessoas de seu cotidiano para dar rosto ao sagrado idealizado e construído, até segunda ordem por homens de bem, dentro de instituições falíveis. Papas, sanguinários, e abjetos. Ditadores insanos e megalômanos, nossos iguais. Filhos e sujeitos da história da civilização. Assim somos nós. Caravaggio e sua vida amorosa dúbia, suas e seus amantes. Não somos nós e nossa condição primeira? Humana. E por isso, pesada, densa e árdua demais em alguns momentos para suportar? Somos assim, e por isso fascinantes. Dois homens, o caminho todo ainda a ser trilhado e a arte para nos aliviar e redimir. Viva o que nos eleva! A vida e seu mistério.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um Plano Simples, Viver

O plano seria o de escrever algo leve ou corriqueiro, falar talvez sobre o cotidiano. Sobre tarefas diárias comuns, fazer algumas compras, cuidar da casa, ouvir música ou ir ao cinema ou ao teatro. Entrar em um automóvel, reclamar do trânsito, esperar um ônibus e reclamar também. Enfim, viver. Mas, ontem na Síria, segundo informações da imprensa internacional,  em torno de 90 pessoas foram mortas. Antes na sexta-feira da semana que passou outras mais de 100 pessoas foram executadas. E de forma mais enérgica, governos de vários países demonstraram sua condenação oficial aos acontecimentos, pedindo a saída de representantes da diplomacia síria de seus territórios. Atrocidades cometidas em nome do controle e da manutenção do poder de um regime falido. Sim, pois falido em essência é todo e qualquer  regime de governo que cerceie o dreito à experessão livre de idéias, dos pensamentos e da liberdade individual. Em alguns momentos a impressão que se tem é a de que ainda vivemos em algum século perdido em passado distante. Mas hoje, cercados por todos os resultados práticos dos avanços materiais e intelectuais ainda insistimos em manter  comportamentos anacrônicos, obsoletos e limitadores. A força sendo usada a todo instante para conter manifestações onde se pede justiça, No caso da Síria pedem mais que isso, lá a vida em sua acepção maior é quem clama por justiça. E os governantes debruçados em números e tomados da certeza de agirem de forma correta, apenas decidem. E os comandados as executam. Disparam bombas e tiros, de tanques de guerra ou de fuzis bem cuidados, contra a população desarmada e apenas com o desejo de  viver o cotidiano. Não importa onde, as pessoas desejam apenas a vida cotidiana. Vivemos e nos relacionamos é no dia a dia. Tudo bem que há desajustes, mas os níveis elevados aos quais estamos permitindo que estes alcancem, ultrapassaram o limite da normalidade. E aparentemente sedados por não sabermos mais qual tipo de droga, assistimos a tudo com  uma terrível e doentia naturalidade. Não podemos e não devemos permitir que a frieza em analisar e absorver sem contestar as injustiças, se instale em nós. Não podemos, pois assim estaremos sendo coniventes com todas as injustiças. O plano é simples, mas viver exige mais de todos nós. Fiquemos atentos e de olhos e mentes bem alertas para também não cairmos na armadilha dos que as armam contra nós. E eles estão aí a planejar suas ações  de controle o tempo todo. Cuidemos de nós e estaremos também cuidando da vida de todos os outro que habitam o mesmo planeta que nós. Vamos celebrar a vida antes de tudo e derrubar todas as formas de injustiças a partir de cada um de nós. É possível.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lucidez e Humanismo, André Liohn

O prêmio de foto-jornalismo Robert Capra 2012, foi pela primeira vez entregue a um fotógrafo latino americano, seu nome é André Liohn. Por sua cobertura na insurreição que tirou do poder Muamar Kadafi. Nascido em Botucatu-SP e atualmente residindo na Noruega. Seria apenas mais uma premiação para um profissional que demonstrou competência em seu ofício. Mas esse não é o caso quando se trata de uma pessoa como André Liohn. Ele que jamais cultuou a figura de Robert Capra, um mito quando se fala em registrar imagens em regiões de conflitos armados. Cultua a vida, o respeito pelo outro e acima de tudo a liberdade inerente à condição humana. Um sinônimo para ele é lucidez. Extrema lucidez, completa e total consciência do mundo em volta. "Não me importo com a fotografia, o que me importa é a denúncia que através dela posso levar a outras pessoas. É mostrar como seres humanos estão sendo impedidos abrupta e covardemente de viver." Mais ou menos assim, o fotógrafo define a finalidade de seu trabalho fotográfico. Assisti a uma entrevista concedida por ele ao Programa Roda Viva da TV Cultura de SP. Sem rodeios, sem medo de ferir brios alheios. Criticou a posição brasileira, "em cima do muro", em relação aos conflitos no oriente médio. Que quase o levou a ser executado na Líbia, ao se dizer brasileiro, foi tomado como espião. O Brasil que se abstem de votar em repúdio a atos que colocam a população civil em risco, vendeu minas eficientíssimas ao exército da Líbia e tenta camuflar e remediar esse episódio, enviando agora força militar para auxiliar na retirada desses artefatos. André Liohn, com toda a razão tachou nossa conduta de covarde. E ele está coberto de razão. Contestou o fato da Presidenta Dilma Roussef, em visita a Cuba, não criticar a forma como os prisioneiros políticos lá são tratados, alegando que aqui temos nossos problemas. Foi assertivo ao dizer: "Quem além dela, que foi presa e torturada em cárceres da nossa ditadura militar, teria mais autoridade para se posicionar contra as arbitrariedades cometidas aos que contestam o governo cubano?". Criticou de forma taxativa a quase completa desmobilização da sociedade brasileira ao dizer: "A pessoa quando ganha dinheiro no Brasil, que anda melhorando seus níveis no que diz respeito ao acesso da população à renda. Coloca seus filhos em escolas particulares, quando deveria "exigir" dos governantes a melhoria da educação pública, da saúde pública". Pois eles administram o nosso dinheiro. Nós somos uma sociedade que privilegia apenas a "satisfação", foi o que ele disse e principalmente a satisfação individual. Saímos às ruas em paradas, em marchas religiosas, mas não saímos para denunciar e cobrar lisura de agentes políticos. Lucidez maior de André Liohn, ao ser interpelado sobre seu receio em perder a vida em alguma frente de conflito. Ele que é casado e é pai de duas crianças pequenas, diz: "Não tenho medo de perder assim minha vida, pois meus filhos saberão a razão pela qual terei perdido a vida". "Saberão que foi por não concordar com a covardia e a hipocrisia  sob as quais nossa sociedade se mantém". Assim, com toda a coragem e lucidez, que deveriam ser a regra e não a excessão, André Liohn nos ensina como de fato deveríamos encarar nossas vidas. Ele não é um revoltado, tentando resolver os problemas do mundo. Ele é um homem lúcido. E completamente honesto e crédulo em sua trajetória diante da vida. Pois esta, e ele sabe, é o maior prêmio que ele até hoje recebeu. Obrigado por suas palavras e por sua inabalável crença no direito à liberdade, André Liohn.

domingo, 22 de abril de 2012

O Desamor


Postei aqui, um poema de amor. Meu deus! O que será um poema de amor? O que será o amor? Mas, o que vejo a todo instante, mais que demonstrações de amor, carinho e compromisso com nossa condição humana, é justamente o contrário. Assistimos, todos nós cotidianamente o "desamor". Em todos os aspectos cada vez mais demonstrações de intolerância, de posse e de total falta de intenção em nos colocarmos no lugar de outra pessoa. Parece que a palavra é "carência". Sim, carência em diversos aspectos de nossa vida. E o suposto amor, que ouvi dizerem não existir. Resume-se a uma convivência simulada entre pares, entre famílias, nem sempre procurando se ajustar e entre pessoas buscando outras apenas como suporte para viver a misterisosa e a incomoda aventura de "viver". É sim, é incomodo viver. Mas é o que temos, a vida. Pessoas buscam por outras com expectativas tão subjetivas que chega a estarrecer. Tem que ser bela. E o que  é beleza? tem que ser "descolada". Talvez aberta a toda e qualquer experiência. E o que é ser descolada? Por exemplo alguém em um automóvel a 120km por hora colidir contra um outro automóvel e tirar a vida de outras pessoas? Alcoolizado. Isso é ser descolado? Pessoas procuram outras para si, apenas para si, fica claro que a intenção primeira é egoísta, tudo bem é da natureza humana. Mas há o suposto amor nessa atitude? Em buscar apenas para nós esse conforto interno em companhia de outra pessoa? Citei alguém alcoolizado cometendo um gesto extremo porque esta pessoa supostamente "ama" seus parentes, sua namorada, essa pessoa deve amar alguém! Menos as pessoas que ela tirou da vida. Estranhos não precisam ser amados. É o que parece estar contido em atitudes de pessoas como esta. Carência, emocional, pois "materialmente" andamos bem. Somos capacitados a nos adaptar, somos animais adaptáveis a praticamente tudo, materialmente falando. Vazios existenciais, provocando relações baseadas em posse. Pessoas sentindo-se proprietárias de outras pessoas e não suportando as separações. Atos extremos são cometidos por isso, por esse nosso limite. Esposas, maridos, namoradas, namorados, filhos sendo abandonados à sua própria sorte. O fundo do poço diante de nós, não. Um poço sem fundo. As pessoas entregando-se às drogas mais pesadas e destruídoras, para a fuga possível. O vazio emocional, a falta de ideais autruístas, o egoísmo. Todos crias de nossas carências. Nossos jogos mentais amadores, pois John Lennon nos propôs jogarmos o verdadeiro jogo de guerrilhas mentais. "Amor é uma flor, Você tem que deixá-la florescer". O amor existe. Eu sei! Mas sou praticamente ridicularizado ao dizer isto. Sinto por aqueles que não o veem ou o sentem. Sinto mesmo! Sou chamado de "louco" por acreditar no inexistente. Sou chamado de "louco" por viver a única vida possível, a vida real. Mas não sou o único. Existem mais loucos como eu. Nossas carências nos levarão ao fim de nosso equilíbrio psicológico e emocional se não nos prepararmos para a vida real, única e possível. Não há para onde fugirmos. Pois como escreveu Lennon..."Amor é a resposta e você sabe disso, com certeza". Se não sabe, trate urgentemente de aprender. Para o seu bem...

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Céu Sobre Nós e Roliver, O Garoto Sonhador


São mais de 16 mil pequenos, de até 10 centímetros, e grandes artefatos de até 3 toneladas, em órbita do planeta. Levados em missões espaciais. São restos de foguetes, são satélites inutilizados. São o "lixo" espacial, vejam até onde conseguimos levar nossa nociva capacidade de poluir. Até as vizinhanças de nosso planeta. Bem! Agora cientistas e especialistas dessa área encontram-se preocupados e traçando uma estratégia para uma faxina espacial, pois todos estes artefatos colocam-nos em risco. Isso mesmo, tem-se notícias de um ou outro objeto que ora é encontrado pelo planeta afora, claro quando  não caem no oceano. Esse ainda nem de todo conhecido por nós, e ousamos, porque é de nossa natureza exploradora, desvendar o espaço sideral. Mas, não desvendamos nosssa "casa" ainda por completo. Então,  a principal agência espacial que conhecemos, tenta minimizar os riscos, diz estar tudo sob controle, mas, sabemos que não é bem assim. E também sabemos qual discurso eles precisam manter para não colocar em pânico a população. Contudo, ouso dizer que um pouco de pânico real faria muito bem nesse momento. O tsunami de 2004 que deixou em torno de 230 mil pessoas mortas, mas mal pensamos em outros animais que perderam também suas vidas. A tragédia provocou comoção, mas vejam como uma grande catástrofe passa por nós e parece que não conseguimos nos ater às suas dimenções. Somos assim mesmo, extremamente egoístas. Nossa comoção tem limites que não vão muito além do nosso umbigo. E depois rapidamente tratamos de providencialmente esquecer. Por que? Por medo, simplesmente por medo de enfrentarmos mesmo as realidades que nos são impostas, porque são várias realidades. Discorri sobre catástrofes naturais e provocadas pelas mãos humanas. O que cair do espaço, construído por nós também será natural, não acham? Uma pessoa enviou para mim uma "sms", ao assistir uma briga na rua, e essa pesoa disse estar se "divertindo" com o que assistia. Confesso que fiquei muito decepcionado. Mas, também nao seria natural nos destruírmos? Não, não quero acreditar que atos e gestos nocivos, sejam alçados à condição de naturais de forma tão simplista assim. Não quero sentir prazer em ver sangue e ferimentos provocados em uma pessoa, por outra. Não! Não quero ver garotos de doze anos, matando-se por ser vitima de bullying em escola, onde deveria ser cuidado e protegido. Não quero ver crimes, de toda natureza serem cometidos com requintes de crueldade; e assistir a tudo com uma sádica e cruel "naturalidade". Fiz de propósito a mistura de temas, há pessoas que dizem que sou muito prolífico em meus textos. Vejo como algo positivo. E falo de tsunamis, lixo espacial, e incertezas, porque estamos simplesmente nos acomodando de uma forma terrivelmente perigosa, quando vidas como a do garoto Rolliver de Jesus deixam de existir por total falta de "humanismo" em nós. Então que venham os tsunamis para varrer de nossas mentes toda a intenção de atos mesquinhos e cruéis. Que a vida seja de fato o maior bem que possuímos e que saibamos guardá-la. A nossa vida e a de nosso semelhante. Não é assim que deveria ser? Fascinante é sermos humanos. Mas, mais fascinante ainda será construírmos a "humanidade" dentro de nós.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Morrissey


Um privilégio, pois o prazer de ver e ouvir Morrissey em Belo Horizonte confirma simplesmente o que todas as pessoas presentes sempre souberam. Morrissey é único. Alguém que ao superar o fim de  uma das bandas mais cultuadas da cena britanica, The Smiths, construiu uma carreira sólida e constante. Abrir sua apresentação para uma platéia ávida, extasiada e pronta para o que ele desejasse, foi a forma mais que explícita de dizer: Obrigado por estarem aqui! Morrissey e seus músicos reverenciando o público. Belo e respeitoso gesto. Ele ao dizer o nome da cidade da forma como as pessoas o pronunciam corriqueiramente, "Beagá", fez-se igual em intenção similar a do público, reconhecer-se diante de pessoas que ele parecia conhecer. E existe algo que Morrissey não saiba? Conquista mútua e tome um palco despojado, pois todo o charme e elegância  estavam nos gestos nas reverencias e nos muitos "obrigado", "thank you", "gracias", ditos por aquele que todos aguardavam como se espera alguém familiar e amigo. Flores atiradas ao palco. Símbolo inequívoco de uma quase adoração. Morrissey ajoelhado e How Soon Is Now? Morrissey feliz a entregar suas camisas para a platéia e lançar-lhes sua Alma Matters. Morrissey, Morrissey, Morrissey, a platéia chamando, gritando ou pronunciando seu nome com a certeza naquele instante de saber. Ele está nos ouvindo. Ele sabe que o aguardávamos de braços, corações e mentes prontos, para também reverenciá-lo e cantar junto. Ele sabe que sempre precisamos dele, de sua poesia tão nossa e de sua voz, limpa, inconfundível, forte e definitiva cantando There Is a Light That Never Goes Out. Competentíssima banda, apresentada por ele um a um, levando a frente do palco seus músicos, dizendo-nos seus nomes e como a dizer: Olhem, eles e eu somos um só agora e estamos aqui por voces e para voces. Dancem, cantem e celebrem conosco, pois estamos aqui nesse palco dançando, ajoelhando e executando para voces as canções que voces e o mundo, alçaram a condição de suas também. Cantem conosco as canções dessa noite. Gritem, sonhem esta noite, pois eu Morrissey amo voces, e repetia "amo voces" e como haver dúvida? Gestos a dizer o quão humano é. E o que Morrissey precisa? "Eu sou humano e preciso ser amado..." E quase a dizer, não, eu talvez tenha recebido demais. Não, talvez eu não mereça todo esse carinho de voces. Mas sabendo-se sim merecedor. Reverencias e a voz feliz a dizer, "eu não esquecerei voces". Morrissey e seus músicos novamente em reverencia deixa-nos assim. Em estado de graça, sonhando com outras canções e plenos naquele instante por poder ouvir, ver e sabermos presentes onde ele também estava. Morrissey, Morrissey, Morrissey...obrigado!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Dois Garis"


"Dois garis, do alto de suas vassouras...". Esta frase faz parte de um comentário mais que infeliz, talvez um desabafo em forma de escárnio e arrogância. Mas, essa visão preconceituosa proferida a não muito tempo por um renomado apresentador de telejornal, mostra muito de nossa sociedade. Mostra muito de cada um de nós. A pouco tempo ouvindo a opinião de uma pessoa, também com um bom nível de formação. Ouvi algo tão distorcido quanto a fala de nosso desafortunado apresentador. A pessoa em questão conseguiu ratificar e achar justo e sensato que um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, recebesse no último mês do ano passado como salário, uma cifra superior a seicentos mil reais. Os argumentos eram sua formação acadêmica, a posição do "cargo" que ocupa. Seus estudos e sua preparação até chegar a esse valor. Não questiono o valor em si. Mas questiono e me recuso a aceitar ser natural, justo ou ético. Alguém, mais que capacitado, inclusive para juntamente com seus pares, arquitetar as leis em seu benefício. E tudo isso custeado pelos nossos impostos. Adicionais, e auxílios que se não ofenderem a uma pessoa medianamente informada, deveriam ser extendidos aos "garis". Por que  não? Um desembargador do alto de sua cadeira intocada, lustrada e polida por outros servidores públicos a meu ver não deveria se sentir bem ao defender esse direito "garantido". É claro pelas leis que eles mesmos propuseram em seu favor. Mas, sempre com a sombra da dúvida de sua justa medida, por ser ele fruto do sacrifício de outros milhares de pessoas. Um magistrado que ao proferir discursos onde proclama com belas e bem colocadas palavras que "ninguém está acima da lei". Sinceramente, não vive a realidade da maioria. Vive em um outro mundo, um mundo diga-se de passagem materiamente, infinitamente superior ao de grande parte dos demais mortais. Não sabe mesmo o que é enfrentar um obstáculo corriqueiro. Uma consulta médica em um hospital público por exemplo. Claro que aqui falo do desajuste do sistema. Um magistrado que cumprindo os preceitos legais e constitucionais ordena a reintegração de posse de um terreno em litígio e com impostos em atraso. Pinheirinho, no Estado de São Paulo, cumpre o que frias letras determinam, balisados pela força irrefutável da lei. Mas é justo? Penso que não. Millhares de pessoas, tratadas todas como cidadãos de segunda classe, indistintamente, não é justo. Sendo eu um magistrado, sentiria vergonha. Na prática, e também servidores públicos, os garis fazem o serviço que limpa. E objetivamente, sem recursos e protelações deixam ruas, praças e outros logradouros em condições de uso para todos os demais. Não podem jogar para baixo do tapete as sobras, não há tapete onde os comuns pisam. Varrem e recolhem todos os lixos. Os do apresentador, os dos desembargadores e magistrados, os dos políticos, os nossos. "...do alto de suas vassouras...". Enfim, o ano de fato começou...mais um carnaval!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Baleias, Solidariedade e Contradição


Ambientalistas avançam a bordo de sua pequena lancha à frente de um barco de pesca japones, tentam de alguma forma interromper a caçada a uma baleia. As cenas podem ser vistas na rede. É da cultura japonesa a captura e consumo, principalmente do óleo retirado dos corpos das baleias. Eles alegam que não descumprem as determinações internacionais para esta "pesca". Mentira. Eles sempre descumpriram. Jamais conseguiram realmente tentar mudar essa "tradição". Se é que abater animais tão representativos para o ciclo da cadeia animal, teve algum dia alguma importancia ética para eles. Tudo bem, que em outras culturas, outros animais também foram caçados, mas as razões japonesas são hoje em dia totalmente inapropriadas. São um dos povos que mais contribuíram para o desenvolvimento humano, materialmente falando. E sinceramente hoje relativiso todas as contribuições filosóficas de praticamente todos os povos. Pois não estamos andando lá muito bem nesse aspecto, o do convívio entre os "povos". Porque em contrapartida vejo e acompanho no caso  do Japão, um sem número de ações e pessoas de diversas nacionalidades em gestos voluntários de auxílio às vítimas do grande terremoto e do tsunami. Contraditório. Auxiliamos aqueles que ainda hoje abatem animais de forma ilegal. E enquanto isso no Haiti. Mesmo eu sabendo que também conta com o auxílio de muitas pessoas bem intencionadas de várias nacionalidades. Há pessoas morando há mais de dois anos em acampamentos de desabrigados. Imaginem as condições. 70% da população está desempregada. Falta praticamente tudo. Ah! Eles não caçam baleias e também não conseguem reconstruir em menos de 20 dias trechos gravemente abalados e desnivelados com um terremoto, como fizeram os japoneses. Eles precisam de remédios, alimentos, água, e muita boa vontade de todos os que possuem algum recurso e espírito autruísta. Existe Bill Gates, que bom! Ele deixou parte de seus afazeres diante de seu império e anda pelo mundo e agora muito pelo Haiti, em auxílio aos necessitados. Nada contra o Japão. Tudo contra a mentira e o egoísmo de governantes, de empresários e agentes dos sistema financeiro. Tudo contra a hipocrisia de estrelas internacionais que se uniram para auxiliar as vítimas no Japão ao abrirem mão de seus direitos em trabalhos musicais lançados com intenção de apoiar ações em terras orientais. Mas que não foram capazes de gesto em mesma intensidade em terras americanas. Tudo a favor de Wyclef Jean. Haitiano que fazendo-se conhecido e bem sucedido no "The Fuges", retornou e está ao lado do povo da terra onde nasceu. Tudo em favor sim, dos fracos, daqueles sem oportunidades justas e ainda explorados. Tudo em favor do que for justo. Salvemos nossas peles, respeitando um pouco mais toda a natureza, em todos os níveis de relação com o meio ambiente, cuidemos. Vivas a todos os voluntários em todos os cantos do mundo e vida ao Haiti...vida dígna.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tribos Vazias


Um simples corte de cabelo pode fazer com que uma pessoa seja agredida. Pode ser uma agressão verbal ou mesmo física em reação extrema. A forma como uma pessoa se veste a identifica, para o meio social. A identifica visualmente antes de tudo, mas esse identificar é ambíguo, pois consigo pode vir também a aversão de quem a vê. E por que? Por que a aversão? Uma reação psíquica negativa em relação ao outro. Porque somos múltiplos e estamos em todos os nossos iguais, assim como parte deles está em nós. Idenficamos em nós aquilo que repudiamos, porque em nós também está parte do outro. Somos filhos de uma única origem. Mas vivemos tempos difíceis, e estranhamente opostos aos caminhos onde a razão e a inteligência deveriam nos levar. Então vemos ou temos notícias de pessoas em "gangues" agredindo-se. Demarcando seus territórios, muitas vezes com armas. Para deixar tudo ainda mais dramático, temos o poder destrutivo de todas as drogas. Que nasceram aqui, ou aquelas que sintetizamos em laboratórios. Não faltam alimentos para os cérebros desprevenidos. Não faltam equívocos para tomarmos para a nossa tribo o direito primeiro. "Estas roupas não nos agradam, estes adereços ou acessórios que voce usa, não nos agradam. Seu corte de cabelo, as músicas que voce ouve. Voce andar com gays, isso não nos agrada". Nossa tribo quer que sejam seguidos apenas nossos padrões e que nossos códigos sejam identificados e se possível copiados. Assim agimos, tal qual animais em bandos, manadas eu matilhas. Seguiremos o líder sem contestá-lo. Somos semelhantes a esses animais? Devemos agir como eles? O que nos iguala a eles? Apenas a mesma origem científica. Mas somos humanos. Existe uma grande tribo de sete bilhões de universos únicos, mesmo sendo semelhantes. Únicos é o que somos, algo impalpável nos diferencia. Alma, espírito, não sabemos. Mas a violência animal, que é reflexo da violência primeira que tivemos que forjar, para sobreviver e está cada vez mais irrascível, é uma das formas de mostrar ao outro da outra "tribo" que não o queremos por perto. A violência primeira para enfrentar os animais e as adversidades dos tempos remotos, está em nós de forma sofisticada e adaptada aos novos "tempos". São realmente novos esses tempos, no sentido da possibilidade de renovar? Não parecem. Enquanto ainda nos dividirmos e nos difereciarmos por "tribos", não. Um Grande Ano! Para todos nós da "tribo" mãe-terra..