terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Tempo Que Passa Lá Fora

Uma breve narrativa sobre os dias que correm. Nenhuma novidade positiva pelo que parece. Mentira, pois sempre há.  A nanoengenharia, ou o ramo da engenharia que estuda a partir da mais reduzida das mais reduzidas formas de interferência física em tecidos, células e sistemas biológicos e químicos, por enquanto, pode ter descoberto o caminho para a cura de toda forma de câncer. Seria uma grande notícia se não estivéssemos vivendo esses tempos sombrios e nada esperançosos, ideologicamente falando. Seria para mais uma vez elevarmos a ciência à sua condição primeira e única. O ramo do saber humano que nos dá, ou pelo menos que mais se aproxima das respostas para questões objetivas. A ciência é cabal, diz e pronto!  Mas, nossa vida cotidiana não é assim, anda mais a deriva que barco a vela em calmaria. Estamos perdidos, agora que ingenuamente acreditamos ter a maioria das repostas que envolve nossa existência, nos perdemos mais ainda. Sabemos muito, mas nada parece ser satisfatório, realmente não conseguimos nos tranquilizar, a verdade é esta; com as respostas que temos. Para a maioria das questões que envolvem o planeta sabemos quais poderiam ser as soluções. Mas, de verdade as colocamos em prática? Não, o tempo lá fora não deixa, mas será mesmo o tempo lá fora ou nosso extremo limite em percebermos que o tempo lá fora é relativo? Cotidianamente acordamos para garantir mais um dia na história cósmica. Mas, até a ciência provar o contrário, apenas nós, no planeta azul estamos pairando no espaço, carregando todas as dúvidas possíveis. Pois, de fora nada ou ninguém veio para trazer algum alento, como a dizer: Não, vocês não estão sozinhos. Crises econômicas, geradas pelo excesso de capital concentrado em poucas mãos provocam desequilíbrio em nosso planeta, principalmente. Mais de 1 Bilhão de pessoas vivem em condições de miséria ou pobreza quase extrema, em um mundo que produz na prática alimentos e bens suficientes para todos os mais de 7 Bilhões. Apenas teoria, pois enquanto você lê esse texto, nesse exato momento lá fora, o tempo insiste em passar... E nossa condição de seres dotados de inteligência superior racional, não nos coloca em condição de resolvermos nossos maiores dilemas. Vamos insistir em nossas escolhas atuais, a maioria delas nos levando ao desequilíbrio, ou de verdade usaremos a razão superior? Podemos praticamente tudo, mas para isso precisamos desejar realmente.

sábado, 1 de outubro de 2016

Quem Souber!

São tempos sombrios estes atuais. Mas também não eram sombrios os dias que antecederam todas as grandes guerras e que presenciaram as epidemias, catástrofes naturais ou provocadas por mãos humanas? Sim também eram sombrios. Contudo, vendo-os à distância, apenas o agora pesa sobre nós e nossas mortais e incertas vidas. Mundo afora cresce o número de "pentamilionários", sim, agora, segundo especialistas e consultores financeiros, esta "nova classe", possuidora de mais de 5 milhões de dólares a seu dispor poderá viver os restos de suas vidas sem se preocupar com a manutenção das mesmas, pois garantiram com trabalho próprio ou herdaram o suficiente para tal. Irônico, são em número cada vez maior nos EUA, o templo das "oportunidades", enquanto a renda da pessoa "comum" na última década e meia caiu e cai. Definitivamente não seremos todos "pentamilionários", alguns comuns precisarão cuidar para que as fortunas deles se mantenham e, claro estes alguns serão mantidos em seus devidos lugares. O que além de segurança material nos garantirá o capital? Quem souber, por favor responda! Não, aqui não me refiro à possibilidade de sendo possuidor de abastados recursos financeiros podermos auxiliar mais pessoas, isto parece óbvio. Ou assim agem os abastados, ou de repente  tem contra si voltadas a ira ou busca pela justiça "possível" de quem os serve. A certeza de um futuro material estável, sem privação alguma? Não. Por acaso podemos garantir o próximo segundo de nossas vidas? Não. Praticamente nada podemos, e mesmo assim, iludidos caminhamos rumo ao paraíso fugaz da certeza material. Insistimos talvez simplesmente por não sabermos, e por não saber, insistimos. E assim acreditando ou não em deuses, ou no capital, tendo fé ou não, merecedores segundo nós, ou não segundo outros pontos de vista. Continuamos marchando rumo ao nada. Em nada nos serão uteis os "pentamilhões" se não percebermos nossa total dependência da natureza... Lixões em diversos pontos dos oceanos acumulam resíduos utilizados cotidianamente por nós. Realmente estamos preocupados com nosso futuro? Quem souber, por favor...!

sábado, 9 de abril de 2016

Alimento, consumismo e egoismo ou "mesquinharias cotidianas"

Quase quarenta por cento da produção de alimentos do planeta é desperdiçada, seja no momento da colheita, do transporte ou do consumo. Quantidade essa suficiente para alimentar toda a parcela que ou está mal alimentada, ou simplesmente não se alimenta diariamente. O paradoxo está no consumo, enquanto uma parcela considerável não tem acesso ao alimento, privada por diversos fatores, mas acima de tudo o econômico, outra, tendo ao seu dispor o acesso a estes bens; os descarta sem cerimônia ou culpa. Jogam fora, assim, sem pudor põe no ´lixo´, o que não lhes serve mais. Ou, pior, “não estava bom”, “não gostei”, “não me agradou”. O egoismo nosso de cada dia exercendo seu papel, e com requinte. E que requinte. Dia desses, antes de entrar em um supermercado de uma rede conhecida, logo uma grande loja, com milhares de itens à disposição, uma garota me pediu um “trocado”, eu disse que na saída lhe daria. Mas, na verdade eu não estava com dinheiro, e por isso simplesmente comprei em maior quantidade alguns produtos para ao sair entregar a ela. Não foram muitos passos dentro da loja, quando ouvi de um outro consumidor com carrinho em punho, estas palavras: “Este supermercado não tem nada”. O que não condizia de forma alguma com a verdade. Em loja daquele porte faltava para aquela pessoa algo, ou faltava tudo. Vá saber! Talvez o vazio estivesse dentro, bem dentro e ele não percebendo, a visão da infinidade de gôndolas e prateleiras tratou de acender a incomoda luz da falta. A falta era dentro. Faltou a percepção de sua condição de “ privilegiado” em poder entrar em um supermercado e comprar, simplesmente escolher produtos e levá-los, poder pagar por eles. O consumismo nos tem distanciado do mundo real e principalmente do humano. E sinceramente, a correção para um caminho que nos leve ao encontro com o outro, parece lenta. É urgente escaparmos desse estado de hipnose consumista coletivo. Na verdade o tempo está contra nós, é mais que urgente, é vital. A garota estava lá fora, ela e outras duas, entreguei a elas a parte que separei para este fim. Agradeceram, e diante de mim, nenhuma delas abriu os pacotes para comer. Acredito que tenham levado para dividir com outras pessoas, mas isso já é outra história.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Os Civilizados, o Lixo e o Planeta

A região sudeste do país atravessa um período de estiagem, que já se estende além do tempo normalmente observado até então. E consequentemente muitos rios e cursos d´água tiveram sua vazão diminuída, colocando à mostra o leito dos mesmos. Nós os civilizados, não estamos nada bem nos quesitos cuidados com a natureza e educação ambiental. Toneladas de resíduos estão sendo agora recolhidos por prefeituras de vários municípios, principalmente no estado de São Paulo. O que é lixo na verdade? Não existe lixo praticamente, pois tudo o que nos cerca e também tudo o que é produzido por uma sociedade industrializada, pode ser reaproveitado. Em países onde políticas públicas priorizam a reciclagem a partir de coleta seletiva, é cada vez mais intensa a ação em prol da redução de danos ao meio ambiente, oriundas de descarte incorreto de resíduos. Estas ações já não são facultativas, elas passaram a ser prioridades incondicionais para nos mantermos como espécie "inteligente" a habitar o planeta, se assim ainda o desejarmos. Cada vez mais torna-se evidente a completa interdependências entre o meio ambiente e todas as formas de vida que o nele vivem. Alcançamos um ponto onde não há mais escolha, ou nos adequamos e passamos a cuidar de forma racional dos resíduos que produzimos, ou pagaremos alto preço por nosso aparente descaso. Nada terá de fato importância para a vida humana sobre a terra, se não admitirmos ser o planeta um corpo também vivo. Países da África atualmente passam por um grave processo, e com possibilidade de tornarem-se epidemias, onde doenças infecto-contagiosas, surgidas principalmente em consequência de más condições higiênicas, além de culturais e religiosas se proliferam. Somos ou não dependentes uns dos outros nesse ecosistema diversificado e ao mesmo tempo frágil? Já não há muito o que se pensar, precisamos mais que urgentemente de ações que invertam todos os processos que possam no futuro serem as causas de nosso declínio como sociedade civilizada. Estamos dispostos aos sacrifícios?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Indiferença

Peter Sloterdijik em seu lúcido e incômodo livro Crítica da Razão Cínica, mergulha na análise do porque nesses tempos em que vivemos, ela, a indiferença, reina. Em sua proposição mais aguda, o autor proclama que ao tomarmos a direção de tudo problematizar, naturalmente adotarmos postura de indiferença, por nos nivelarmos aos problemas ao pressenti-los. Então, não haveria razão objetiva para tentarmos ir contra a corrente? O autor não responde a esta pergunta. Na verdade esta pergunta eu me faço, e também a faço a quem se aventurar a ler esse texto. Vivemos tempos complexos e dentro dessa complexidade, contraditórios. Hoje, a humanidade está mais próxima de ver decifradas as causas de todas as doenças físicas que a ameaçam, mas ao mesmo tempo e contraditoriamente, parece não ser de interesse dos grupos controladores de tais conhecimentos, e não me refiro aos cientistas, mas sim à indústria química, que os benefícios destas descobertas alcancem a maior parcela possível da população. Será a materialização daquilo que apregoa Sloterdijik? Vá agora até a janela e olhe lá fora. Aqui, enquanto escrevo há sol, vento em forma de brisa que ameniza o calor emanado do sol. Está agradável. Da janela de onde estou, avisto um ambiente urbano, é uma avenida com transito intenso de veículos e pessoas. Observando à distância, tudo parece estar em sua rotina normal. Apenas parece. Vá, transponha a barreira física de sua casa, seu escritório, ou qualquer outro espaço que esteja agora separando você das pessoas lá fora. Tente se comunicar com alguém. Uma pessoa, uma única. Eu disse comunicar. Viver o processo de emitir e receber mensagens, codificando-as, compreendendo. Será praticamente impossível, o único alento é de que essa quase impossibilidade de "comunicação" do ser, é geral. Não importa se sua janela está em alguma rua de Istambul ou em Água Azul do Norte, no Estado do Pará, não importa. A diferença é de que as pessoas da pequena cidade reconhecem por razões de maior proximidade, o outro. Reconhecer não quer dizer "conhecer". A mesma sensação incômoda de não comunicação paira agora nos céus do Planeta. Este distanciamento, comportamento tomado por conta de nosso instinto de auto preservação, talvez, esteja provocando essa "indiferença" nossa de cada dia? E então na busca primeira de resguardar nossa segurança, criamos, ou melhor saímos às ruas vestidos com as "personas" que provocam em nós a sensação de estarmos protegidos. Protegidos da tentativa de "invasão" do outro. Permitir ao outro tomar conhecimento de nossa verdadeira pessoa, seria então arriscado demais. Logo, mantemos esta atitude de precaução. E este excesso afasta-nos. E toda esta nuvem da indiferença cai sobre nós em um dos momentos tecnicamente mais propícios ao encontro, pois estamos completamente conectados. A cidade de Homs-Síria (foto), sofreu bombardeios das forças do Governo sírio em confronto com Rebelados que lutam pela retirada do poder de Bashar al-Assad, herdeiro de Hafez Assad. Assim está parte da cidade, destruída. Postei um comentário relativo a esta foto em um perfil da rede social facebook, não somaram dez o número de pessoas que de alguma forma se manifestaram. X possui 2.759 "amigos" na rede, X alterou sua foto de perfil e 578 pessoas marcaram sua passagem pela página de X, para felicitá-lo. X, jamais posta algo que seja realmente digno de alguma atenção. Eis a "Senhora Indiferença" personificada em nossos dias. Sloterdijik não é pessimista em sua visão acerca da indiferença, ele nem precisa ser. (De janeiro de 2011 até hoje mais de 150.000 civis perderam suas vidas em consequência do conflito).

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Sistemas Cósmicos Perfeitos

Há um mundo completamente organizado em seu princípio de existir. Todas as funções determinadas de forma quase matemática. Razão para as mudanças climáticas (...), porque, os ciclos das estações assim ordenam. A ordem determina tudo e a natureza possui o mecanismo da ordem sob seu controle. Nós! Não possuímos esse controle. Ele nunca esteve em nossas mãos. Somos instáveis em nossos desejos, nossas vontades. A natureza é coordenada e estável, seus ciclos a guiam. Nós sempre vivemos sob as vontades dela, a natureza. Quanta ilusão a nossa, termos um dia imaginado o contrário. Nunca a dominamos, de verdade nunca a controlamos. O sol não está lá para nos servir, mas antes de tudo por sua própria existência! Nós e nossa grande arrogância o temos como o astro que garante nossa vida, por nos julgarmos superiores a ele. Ele existe por si, e mesmo sem saber produz energia. E nós? O que produzimos? Nós que somos simplesmente reféns da força poderosa e devastadora da energia dessa estrela! Nós somos arrogantes, presunçosos e frágeis. E pior ainda, por temer a verdade ao encararmos esse nosso limite. Determinamos sermos os senhores de tudo à nossa volta, inclusive de uma estrela com vida própria (ironia). E tão mais livre que nós. Quanta estupidez a nossa. (...) A estrela não deixou de existir, ela não se apagou hoje. Continuará lá a produzir energia, luz e calor por bilhões de anos ainda. E tudo isso sendo impensável para nós. Bilhões de anos. Bilhões de corpos celestes. Bilhões de átomos em nós mesmos. Toda a organização da natureza, inclusive em nós. Na organização dos elementos que formam nosso corpo físico e nós não percebemos nada. A Natureza a todo o instante nos mostra o quanto somos semelhantes a ela e, até mesmo que somos parte e filhos dela. E nós arrogantemente ignoramos.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Mandela, André e Cândido Portinari

Há um tempo não escrevo para o blog, é toda a história que voces conhecem e vivem também, o tempo, os compromissos e as prioridades. Mas, insisto em me culpar por desculpas assim. Somos dotados de capacidade intelectual superior, logo temos a obrigação de conciliar todos os nossos interesses e compromissos, evitando ao máximo as desculpas. Hoje estou aqui para postar uma foto de Nelson Mandela. Eu não preciso discorrer aqui sobre quem é Nelson Mandela. Todos voces sabem, e há milhares de páginas na rede que narram sua trajetória de vida. Aqui, abro um parenteses para falar rapidamente sobre outra pessoa que deixou uma obra tão fascinante quanto o desejo que tinha em ver um mundo melhor. Visitei em Belo Horizonte recentemente a exposição "Guerra e Paz", que trouxe os dois painéis que Cândido Portinari criou para o prédio das Nações Unidas em Nova York. Fascinante, é a palavra que um amigo meu sempre usa para se referir a tudo para o qual palavras ainda não existam. Eu, ao deparar-me com um dos quadros da exposição "Menino Morto", naquele momento, diante do quadro me veio a lembrança de um amigo com o qual convivi por pouco tempo. Mas de quem recebi o mais sincero e único sentimento capaz de elevar-nos, amor. André, é seu nome, ele vivia em uma instituição que cuida de pessoas portadoras de paralisia cerebral. Por oito anos viveu lá e, eu tive o privilégio de conviver com ele por dois anos. Eu não me senti triste ao ver o quadro e me lembrar do André, eu me senti distante, completamente sozinho em uma galeria com dezenas de pessoas ao lado. Eu não chorei, mas quase. Eu não sorri. Eu apenas olhava para o quadro e via o André. Me lembrei do carinho que a irmâ e o irmãozinho menor demonstraram diante do corpo dele, acho que por isso eu não chorei. Eu agradeci a Cândido Portinari, por me remeter a alguém tão especial. Eu me senti honrado e privilegiado por ter convivido com André, por sentir o quão verdadeiro foi o empenho de Cândido Portinari em pintar um país. E agora Nelson Mandela, André e Cândido Portinari de alguma forma estão mais próximos um do outro. Vou continuar aqui, por enquanto, dizendo OBRIGADO a eles... E me esforçando para tentar ser um pouco melhor do que fui ontem...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Céu E Terra, Nós

Há um tempo ando meio "desaparecido", ou melhor há um tempo não posto, apenas isto. Na verdade, sei que existem milhares de temas e ou acontecimentos que merecem comentários, crônicas ou observações. Há também, justamente um desejo bem consciente em meu caso, de pouco falar. Sinto que deveríamos usar mais, e muito mais nossas habilidades "telepáticas", elas existem, não duvide. A sonda Voyager, lançada há trinta e seis anos, pela NASA, deixou o Sistema Solar. Ela está há dezenove milhões de quilômetros da Terra, agora vagando pelo espaço sideral. Leva consigo mensagens, imagens, sons de nossa voz e música, alguns pequenos objetos, vestígios nossos. Para que? Segundo nossas expectativas ao ser interceptada por alguma outra forma de vida inteligente, um pouco de nós seja por eles conhecido. Bem pouco, sejamos sinceros. Nós que mal desvendamos os mistérios dos abismos oceânicos, enviamos para o espaço um artefato que, agora faz o papel de uma mensagem de náufrago, lançada ao oceano em busca de socorro, algum auxílio, a esperança da visão de um semelhante, para resgatar-nos. Nós, tão frágeis quanto o planeta, buscamos fora, longe, o mais distante possível; companhia que se assemelhe a nós. A grande dúvida do existir. A busca por respostas para perguntas eternas. A sonda não mais retornará, a sonda nem é viva. Mas a vida está nela através das mentes que a conceberam e das mão que a construíram. Vestígio humano na sonda, nossas digitais. Aqui, ao nosso lado. Ali em quem anda na mesma rua e em voce, em mim. Dentro. Bem dentro de nós está o segredo. "O segredo é um caracol", como escreveu Clarice Lispector. Tão dentro de nossa casa única que nem percebemos, talvez por muito temer. Fugimos ou buscamos? Enviamos mensagens ao mar, sondas ao espaço, sms e postagens na rede, assim como faço agora. Fazemos isso porque insistimos em não mergulhar no único lugar onde seremos reconfortados, por ora! Dentro, bem dentro de nós.

domingo, 28 de abril de 2013

Civilidade e Lixo

Há relatos de que Dom João VI, o imperador que mudou-se, às pressas para o Brasil com praticamente toda a sua côrte, fazia nas ruas, suas necessidades fisiológicas, quando não conseguia a tempo hábil um local adequado. É curioso e aparentemente revelador como o que nos tornamos hoje, como sociedade, nasceu de um passado desajustado. Os primeiros habitantes "estrangeiros" para cá trazidos com a finalidade de aqui residirem, eram bandidos. Julgados e condenados pela metrópole a viver em terras longínquas e inóspitas, o Brasil. E sintomaticamente vivemos em nossos dias, e aqui uso o "lixo' como metáfora de nossa adequação social. Para mostrar o quanto inconscientemente agimos como estrangeiros, no sentido de estranhos ao lugar e com um comportamento sempre de não pertencentes à sociedade que compomos. A impressão geral é a de que nãos somos daqui. Pois, apenas pessoas que não permanecerão em um lugar agem como costumamos agir quando a questão é o descarte do "lixo" que produzimos. Com as diferenças específicas deixadas por traços específicos dos colonos primeiros, imigrantes que vieram com a intenção de aqui realmente fixarem residência e produzir; o que vemos é lastimável. Ruas, logradouros públicos, lagos e lagoas, onde vamos para buscar diversão e lazer, principalmente em áreas mais povoadas. Terrenos vagos e onde mais nossa visão alcançar o "lixo". Lá está, descartado por uma parcela da população que não sozinha, mas também contando com o descaso e a inoperância e falta de percepção, ao que parece de suas responsabilidades, agentes públicos contribuem para o exercício cotidiano da banalização da civilidade. E tome sujeira por quase toda parte. E todas as desculpas possíveis acompanham as não ações positivas e construtivas que deveriam ser a atitude ideal, natural e civilizada. Zelar para que o espaço pertencente a todos seja mantido limpo e ordenado, é o que nos cabe. Cada um de nós, devemos praticar uma reflexão diária de reprovação e superação de nosso "egoismozinho" nocivo e destruidor. Vamos começar esse processo, mantendo limpo o chão que nos dá a base para nossa caminhada e evolução. Menos lixo e mais educação...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Feliz Aniversário!

Hoje talvez seja o dia do seu aniversário. E tenha a certeza de que o é. Acaso tenha mais de nove meses, Exatamente doze meses e um dia, pois há 365 dias passados voce estava aqui, vivo. Logo, há um ano voce continua aqui e, portanto todos os dias são de comemoração de sua natividade. Parece confuso? Leia novamente e raciocine, é simples. Todos os dias a cada um de nós cabe uma homenagem, a celebração, talvez uma ode. Somos heróicos e corajosos sobreviventes da saga que é viver. Há pessoas que comemoram praticamente tudo, mas com uma total determinação em seguir normas sociais de convivência. De minha parte questiono a sinceridade e ou honestidade e até a utilidade dessas bodas. Em tempos tão facilmente socializáveis, dado ao grande arsenal de possibilidades virtuais para tais encontros; comemora-se até a dor e tristeza de muitos com escárnio. Não busque para tomar conhecimento as execráveis postagens com caráter de "humor" alusivas ao incêndio ocorrido em Santa Maria. Não alimente o monstro que pede além de sangue, carne e vidas, o que ainda nos eleva, nossa humanidade. Não entregue ao grande e insensível ser o que ainda insiste em sobreviver, às duras penas. Que tempos e templos estamos erguendo para a adoração, e o que ou quem iremos adorar? Voce sabe? Se tiver a resposta, compartilhe. Não é assim que vivemos hoje? Compartilhando nossas pequenas esperanças, os que ainda as possui. E também nossa miserável condição atual, nossa ilha tecnológica e inexpugnável. Nossos maiores e melhores amigos, fidelíssimos, nossa essência materializada em bytes, megabytes e teras. Nossa grande mentira. Feliz aniversário, hoje! Amanhã nós nao sabemos. Prometi a um amigo escrever algo sobre aniversários, comemorações que marcam cíclos importantes para nossa espécie. Meu amigo Christian, desculpe-me, nesse momento é o máximo que consigo fazer. E voce do alto de seu nome tão emblemático, sinta-se salvo. Ou melhor, tenha certeza da salvação única e redentora. Aquela que nos resgata dos abismos mais tenebros. Abismos que por descuido deixamos aprofundar dentro de nós. Lutemos bravamente contra. Vamos sim sorrir com as vítimas recentes, passadas e futuras de todas as injustiças ou infortúnios. Vamos sorrir com elas para aliviarmos também em nós as dores de todos. Feliz aniversário!

sábado, 22 de dezembro de 2012

Dois Assuntos E Alguma Lucidez. Viva!

Na verdade existem muitos assuntos para os quais uma nova postagem seria interessante, e, na verdade a palavra "interessante" para mim é de uma incomensurável imparcialidade. E sinceramente as imparcialidades me perturbam. Pois em minha imodesta visão, há temas, acontecimentos e fatos com os quais a imparcialidade não combina. Alguns, ou melhor muitos deles merecem e precisam de um posicionamento firme de quem deles toma conhecimento. Imaginemos se o presidente Obama resolve simplesmente achar "interessante", e de forma imparcial responder a mais um ataque de um "perturbado mental" a uma escola infantil. Não se dirigindo ao povo e colocando-se ao lado de todos os atingidos, o presidente seria simplesmente execrado. Ele tem o dever de se posicionar. Uma pessoa, às vésperas da comemoração cristã mais emblemática, o nascimento do "profeta" maior de milhões de seguidores, entra em uma escola e assassina crianças e mais seis adultos. Não há como ser imparcial. Representantes públicos eleitos pelo voto popular, utilizando prerrogativas que apenas a eles beneficiriam, decretam o não cumprimento de determinação judicial que retira mandatos representativos de seus pares comprovadaemnte flagrados em atos ilícitos e criminosos. Prometem "asilo político", aos condenados, em edificio construído para abrigá-los, mas temporariamente e custeados, todos eles por nós. Há como ficar imparcial? Quando uma pessoa alçada à condição de nosso porta-voz, de representante político em questões de nosso interesse se coloca acima da lei, devemos nos posicionar de forma incisiva contra tal postura. Mas, em uma sociedade que muito facilmente se entrega a festejos e devaneios superficiais em torno de novelas, futebol e álcool, não encontraremos coro uníssono que repreenda ou mostre a esses senhores arvorados em suas posições privilegiadas, a nossa não concordância com suas falas. Não. Essa sociedade não tomará seu tempo tão caro e precioso, lendo, aprendendo e consequentemente questionando e se posicionando. Definitivamente não. Sinceramente, eu gostaria que essa postagem fosse leve, esperançosa e muito otimista. Estamos em um período em que nos colocamos mais receptivos e propícios a acreditar em transformações positivas. É o aniversário de alguém, há festa e celebração da alegria por esse nascimento. Mas, devíamos prolongar em nossas mentes essas sensações e buscarmos o melhor do "humano' que habita em nós. A todos que permitirem-se, vai um Feliz Natal e olha que o mundo não acabou...! (Ofereço através de meu texto, minha homenagem às vítimas de Newtown)

sábado, 17 de novembro de 2012

A Grande Farsa

Uma certa preguiça mental, pior, uma apatia anda ocupando as mentes em geral. Uma apatia que se reflete em comportamentos padronizados e nada voltados para questionamentos, debates salutares ou conclusões positivas e aplicáveis. Deixar tudo como está parece ser a melhor saída. E nem sabemos saída de quê, ou para quê. Não sabemos de mais nada, mesmo sabendo tudo. Estamos cercados de mecanismos e arquivos repletos de dados sobre quase absolutamente tudo. Mas, não queremos nos cansar com pensamentos, com elaborações complexas a respeito do mundo à nossa volta e de nossos comportamentos. Para quê? Para sofrermos? Não precisamos mais sofrer. Alcançamos o melhor de nossa evolução. Não é mesmo! Vamos desfrutar então. Vamos começar ao meio dia nos anúncios de tv, nos embriagando. Mas, com cuidado ao dirigirmos. Contradição e hipocrisia em apenas um spot para venda de cerveja. Ah! vamos vender para as nossas crianças, ok! As cervejas, e nossa apatia irá junto. Vamos convidar para vender, vender e vender tudo o que for possível. Garotos e garotas propaganda do momento, da moda. Os "up" ou "tops". Vamos! Eles e elas não devem e não podem questionar, devem apenas lucrar. Para si e para o seu anunciante. Vamos chamar o modelo ideal, bem comportado, saudável e a perfeição; desprovidos de idéias próprias. Vamos! Entregar a quem amamos. Crianças, jovens, adultos e idosos, o nada. Vamos! Vamos juntos diante do grande senhor que nos guia e orienta, entregar de joelhos nossas mentes. Hoje, amanhã e sempre! Vamos simular a satisfação e a felicidade total em perfis virtuais. Vamos buscar nossos maiores e melhores amigos e amigas, bem distante. Vamos! Vamos mentir, mentir e mentir para nós mesmos. Aperfeiçoarmos tão bem nossa sórdida farsa que nós mesmos acreditaremos nela. Vamos nos drogar, nos entorpecer e fingir que somos humanos e elevados e perfeitos. Que sorte a nossa, pois nossas vidas físicas não são eternas. Por enquanto...!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Exercício Político e a Cidadania

Estamos mais uma vez às vésperas de uma eleição. Dessa vez os cargos em disputa são em nível municipal em um país com mais de cinco mil municípios, os preparativos para a realização do pleito eleitoral exigem procedimentos muitas vezes dignos de uma aventura. Um país que usando auxílio de tecnologia avançada implantou o processo de votação mais preciso e rápido de apuração do mundo. País que exporta para nações de várias partes do mundo essa sistemática. Um orgulho nacional! Deveria ser também um orgulho os resultados advindos de todo o empenho realizado para a escolha dos administradores públicos, mas não é bem assim. Vivemos ainda em uma nação onde a “coisa pública” é tratada por muitos como “coisa privada”. Cotidianamente acompanhamos denúncias das mais variadas, de mau uso de recursos públicos. São desvios de verbas cometidos das mais diversas, criativas e hábeis formas, por servidores temporários (prefeitos, vereadores e outros) e por servidores admitidos a partir de concursos. São fraudes envolvendo desvio ou roubo de medicamentos, com internações forjadas ou procedimentos não executados. É desvio de recursos para a merenda escolar. Superfaturamento para a obtenção de equipamentos para uso em repartições oficiais. Só para citar alguns. São inúmeros e diversos os meios e as formas para apossarem-se do dinheiro que pertence à população, pois esta o gera a partir de seus impostos recolhidos. Nossa sociedade precisa urgentemente fazer-se presente de fato, quando o que estiver em jogo for o seu interesse. E ter a consciência plena de ser a detentora e a produtora dos recursos que para si devem retornar. A palavra cidadania, tão em moda, precisa deixar de ser cíclica como são todos os modismos e passar a ser de uso cotidiano também. Assim como são as articulações de todos os inescrupulosos que buscam lucros onde deveriam apenas e somente proceder com seus deveres. Assim, nós a sociedade que contribui e a quem deve retornar em forma de serviços e benefícios, devemos usar com a plenitude que nos garantem todas as leis e princípios universais, os nossos direitos. Pouco nos informamos. Permitimos que o comodismo nos mantenha distantes dos processos que a nós mesmos beneficiariam. Ficamos à parte quando na verdade apenas o exercício diário e a busca da cidadania plena permitiriam o acesso a tudo o que produzimos e mantemos com nossos recursos. Aponto o processo do pleito municipal nesse texto. Mas sabemos o quanto em todos os diversos níveis em nosso país estamos ainda longe de uma harmonia entre o “público” e o “privado” quando se trata de uso de recursos públicos. Assistimos agora ao processo de julgamento do “mensalão”, para exemplificar. Sou pessoalmente um dos maiores críticos em relação à forma como algumas categorias de servidores oficiais são privilegiadíssimas em suas posições, quando comparadas à grande maioria da população. Muitos desses parecem viver em “suiças” perfeitas, lindas e utópicas e isso tudo em solo tropical. O Brasil é ainda uma sociedade em formação, mas não estamos mais em séculos passados. Estamos em plena era dos maiores avanços científicos e tecnológicos e injustamente os avanços sociais andam em passos lentíssimos. Não é favor algum sermos bem atendidos em qualquer espaço público que seja. É um dever do Estado que sustentamos. Nós somos o Estado juntamente com as organizações oficiais criadas para servir-nos. Quando em algum momento de sua vida uma pessoa postula tornar-se um servidor público, junto com esta decisão deve estar também uma plena consciência de que o faz espontaneamente e que sua função a partir de então terá como finalidade “servir” ao cidadão. Servir aqui no sentido nobre e elevado do termo. Os tempos onde o servir era apenas reservado aos escravos e serviçais quase desumanizados, foram sepultados. Mas desafortunadamente ainda testemunhamos práticas quase medievais. O Brasil é um continente, nós os residentes em grandes cidades temos possibilidade de buscar nossos direitos, contudo, ainda acontecem injustiças terríveis e várias, basta corrermos os olhos por jornais e demais veículos de comunicação. Disso devemos nos envergonhar e usarmos nossa melhor energia e educação formal para mudarmos. Hoje, nesse momento estamos diante da possibilidade de exercermos o único processo justo e equilibrado para escolhermos aqueles que serão os tutores de nosso bem maior, o exercício da cidadania plena. Servidores temporários escolhidos por nós façam-se merecedores da confiança depositada.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Futebol, Educação e Civilidade

Eu gosto de futebol. "...coisa linda é uma partida de futebol". Verso de canção mais que hit da banda Skank. A estética e a prática da mesma nem sempre se harmonizam. Uma partida envolvendo os dois clubes mais populares do estado de Minas Gerais aconteceu no tradicional e rejuvenescido estádio Independência (26/08). Vou começar por uma foto publicada a pouco tempo em um jornal popular estilo tablóide. A foto mostrava torcedores de um clube, com roupas e bonés característicos, em uma fila de venda de ingressos, mas o que me chamou a atenção foi a pose dos fotografados. E a péssima, ou talvez maliciosamente proposital escolha da redação. Em busca de estímulo a mais vendas, imagino. Na foto os torcedores apareciam levantando o dedo médio em sinal mais que expressivo de ofensa e escárnio. E raiva belicosa. Era a última página do jornal e a foto tomava mais da metade da mesma. A poucos dias assisiti na tv, em um programa que comenta e debate os fatos envolvendo o futebol, a torcida se manifestando contra marcações que a desagradavam. Homens adultos, vários tendo ao seu lado crianças, seus filhos, imagino. Proferiam palavrões que a edição de aúdio cuidou em ocultar. Mas sabemos quais eram. E o mais emblemático e grotesco é que todas as palavras eram gritadas em bom som diante de policiais voltados de frente para a torcida, ali postados para preservar a segurança da mesma. Por acaso são aceitáveis tais fatos? Se nos consideramos civilizados, não são. Jamais deveriam ser tomados como naturais, pois nossas reações psicológicas, racionais que somos, podemos controlar. Chingamentos e ofensas, descontrole e violência. Diante de crianças e de policiais e proferidos contra nossos iguais. Alimentam apenas o pior de nosso instindo animal. As paixões inexplicáveis cegam. E assim comporta-se a  multidão sem a lucidez necessária nesses momentos. A partida que citei no início, começou para os meus ouvidos e sentidos no sábado quando em uma emissora de rádio bastante popular que transmite jogos de futebol. Ouvi não de uma pessoa qualquer,  mas sim de um privilegiado e bem posicionado comentarista. Ele criticava com muita veemência, alegando até uma possível demostração das autoridades de sua incapacidade em controlar as massas, que os mesmos estavam equivocados em fazer realizar a partida citada com apenas uma torcida. Imaginemos o que aconteceria caso estivessem lá as duas torcidas! O comentarista em sua crítica, equivocada. Posicionou-se como nós em nossa cultura insistimos em nos comportar. Escondemos nossa cabeça assim como o avestruz diante do perigo iminente. Nos enganamos fingindo estar tudo em ordem. Não está. A violência está imperando e se tornando a senhora de nossa sociedade. Vitimando indistintamente culpados e inocentes. Jovens, crianças e adultos. Assassinando em nós a "humanidade" superior que deveria nos guiar. Violência não apenas física. As distorções estão sendo tomadas como a regra. Cotidianamente crimes graves são cometidos e comentados nos meios de comunicação com a passividade assustadora de anestesiados. Anestesiados também estão os controladores de jornais, rádios e TV´s, por permitirem enfoques oportunistas e simplistas dos fatos. E anestesiada a socieade, que não busca o questionamento necessário para que de fato seja respeitada. Quando de fato nos educaremos? "...coisa linda é uma partida de futebol"

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um Caminho, Dois Homens Incomuns

Michelângelo Caravaggio e Giorgio De Chirico. Dois homens, artistas e provocadores. Vivendo e  produzindo em tempos diferentes. Estilos diferentes dado ao período em que viveram. Um criou e experimentou a vida nos longínquos últimos anos do séc.16 e início do 17. O outro nasce no séc 19 e produz a maior parte de suas obras no séc. 20. Homens vivendo entre períodos de mudanças. O primeiro passando a utilizar a luz de uma forma inovadora. O outro, precursor do surrealismo. Figurativo, Caravaggio fez de seu talento o seu ganha pão de fato. Envolvido em polêmicas, com uma vida desregrada. Teve em seus trabalhos o suporte para sustentar-se, nem sempre como grandes mestres mereciam.  De Chirico, metafísico, melancólico, nietzchniano. Buscas, interrogações e as eternas dúvidas humanas. As cenas sagradas, o Cristo, São Gerônimo ou mesmo a Medusa; Caravaggio também não se liga a De Chirico em nivel metafísico? Caravaggio, desejando apenas viver  em seu tempo e a seu modo? De Chirico, tal qual arqueólogo pictórico e assim como a enigmática esfinge, buscando o encontro com o "superior" em nós. Buscando decifrar-se. Os dois lado a lado a partir de suas obras, suas complexidades como homens questionadores e nada acomodados em suas existências. A inquietação é o componente primordial para a criação e inovação. Nossa essência e em especial, a dos artistas, também é naturalmente inquieta. Mas, infleunciados e engessados que somos, a maioria por nossa própria socialização, pois tendemos a imitar e seguir o grupo na grande maioria das vezes; algemamos a inquietude. E, sem a inquietação, sem a fagulha acesa em nós da dúvida e por isso dos questionamentos, não caminhamos. Não iremos em direção ao crescimento e elevação. Pode parecer contraditório. Mas, as armadilhas que preparamos para nós mesmos durante nosso processo de evolução material e metafísico, somente por nós podem ser desativadas. São tempos difíceis esses que vivemos, ou terá sido apenas o que de melhor conseguimos erigir? Torres de concreto e metal, De Chirico e os espaços preenchidos por construções arquitetônicas que marcam ocidente e oriente. Caravaggio e a iluminação, usando pessoas de seu cotidiano para dar rosto ao sagrado idealizado e construído, até segunda ordem por homens de bem, dentro de instituições falíveis. Papas, sanguinários, e abjetos. Ditadores insanos e megalômanos, nossos iguais. Filhos e sujeitos da história da civilização. Assim somos nós. Caravaggio e sua vida amorosa dúbia, suas e seus amantes. Não somos nós e nossa condição primeira? Humana. E por isso, pesada, densa e árdua demais em alguns momentos para suportar? Somos assim, e por isso fascinantes. Dois homens, o caminho todo ainda a ser trilhado e a arte para nos aliviar e redimir. Viva o que nos eleva! A vida e seu mistério.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Um Plano Simples, Viver

O plano seria o de escrever algo leve ou corriqueiro, falar talvez sobre o cotidiano. Sobre tarefas diárias comuns, fazer algumas compras, cuidar da casa, ouvir música ou ir ao cinema ou ao teatro. Entrar em um automóvel, reclamar do trânsito, esperar um ônibus e reclamar também. Enfim, viver. Mas, ontem na Síria, segundo informações da imprensa internacional,  em torno de 90 pessoas foram mortas. Antes na sexta-feira da semana que passou outras mais de 100 pessoas foram executadas. E de forma mais enérgica, governos de vários países demonstraram sua condenação oficial aos acontecimentos, pedindo a saída de representantes da diplomacia síria de seus territórios. Atrocidades cometidas em nome do controle e da manutenção do poder de um regime falido. Sim, pois falido em essência é todo e qualquer  regime de governo que cerceie o dreito à experessão livre de idéias, dos pensamentos e da liberdade individual. Em alguns momentos a impressão que se tem é a de que ainda vivemos em algum século perdido em passado distante. Mas hoje, cercados por todos os resultados práticos dos avanços materiais e intelectuais ainda insistimos em manter  comportamentos anacrônicos, obsoletos e limitadores. A força sendo usada a todo instante para conter manifestações onde se pede justiça, No caso da Síria pedem mais que isso, lá a vida em sua acepção maior é quem clama por justiça. E os governantes debruçados em números e tomados da certeza de agirem de forma correta, apenas decidem. E os comandados as executam. Disparam bombas e tiros, de tanques de guerra ou de fuzis bem cuidados, contra a população desarmada e apenas com o desejo de  viver o cotidiano. Não importa onde, as pessoas desejam apenas a vida cotidiana. Vivemos e nos relacionamos é no dia a dia. Tudo bem que há desajustes, mas os níveis elevados aos quais estamos permitindo que estes alcancem, ultrapassaram o limite da normalidade. E aparentemente sedados por não sabermos mais qual tipo de droga, assistimos a tudo com  uma terrível e doentia naturalidade. Não podemos e não devemos permitir que a frieza em analisar e absorver sem contestar as injustiças, se instale em nós. Não podemos, pois assim estaremos sendo coniventes com todas as injustiças. O plano é simples, mas viver exige mais de todos nós. Fiquemos atentos e de olhos e mentes bem alertas para também não cairmos na armadilha dos que as armam contra nós. E eles estão aí a planejar suas ações  de controle o tempo todo. Cuidemos de nós e estaremos também cuidando da vida de todos os outro que habitam o mesmo planeta que nós. Vamos celebrar a vida antes de tudo e derrubar todas as formas de injustiças a partir de cada um de nós. É possível.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lucidez e Humanismo, André Liohn

O prêmio de foto-jornalismo Robert Capa 2012, foi pela primeira vez entregue a um fotógrafo latino americano, seu nome é André Liohn. Por sua cobertura na insurreição que tirou do poder Muamar Kadafi. Nascido em Botucatu-SP e atualmente residindo na Noruega. Seria apenas mais uma premiação para um profissional que demonstrou competência em seu ofício. Mas esse não é o caso quando se trata de uma pessoa como André Liohn. Ele que jamais cultuou a figura de Robert Capa, um mito quando se fala em registrar imagens em regiões de conflitos armados. Cultua a vida, o respeito pelo outro e acima de tudo a liberdade inerente à condição humana. Um sinônimo para ele é lucidez. Extrema lucidez, completa e total consciência do mundo em volta. "Não me importo com a fotografia, o que me importa é a denúncia que através dela posso levar a outras pessoas. É mostrar como seres humanos estão sendo impedidos abrupta e covardemente de viver." Mais ou menos assim, o fotógrafo define a finalidade de seu trabalho fotográfico. Assisti a uma entrevista concedida por ele ao Programa Roda Viva da TV Cultura de SP. Sem rodeios, sem medo de ferir brios alheios. Criticou a posição brasileira, "em cima do muro", em relação aos conflitos no oriente médio. Que quase o levou a ser executado na Líbia, ao se dizer brasileiro, foi tomado como espião. O Brasil que se abstem de votar em repúdio a atos que colocam a população civil em risco, vendeu minas eficientíssimas ao exército da Líbia e tenta camuflar e remediar esse episódio, enviando agora força militar para auxiliar na retirada desses artefatos. André Liohn, com toda a razão tachou nossa conduta de covarde. E ele está coberto de razão. Contestou o fato da Presidenta Dilma Roussef, em visita a Cuba, não criticar a forma como os prisioneiros políticos lá são tratados, alegando que aqui temos nossos problemas. Foi assertivo ao dizer: "Quem além dela, que foi presa e torturada em cárceres da nossa ditadura militar, teria mais autoridade para se posicionar contra as arbitrariedades cometidas aos que contestam o governo cubano?". Criticou de forma taxativa a quase completa desmobilização da sociedade brasileira ao dizer: "A pessoa quando ganha dinheiro no Brasil, que anda melhorando seus níveis no que diz respeito ao acesso da população à renda. Coloca seus filhos em escolas particulares, quando deveria "exigir" dos governantes a melhoria da educação pública, da saúde pública". Pois eles administram o nosso dinheiro. Nós somos uma sociedade que privilegia apenas a "satisfação", foi o que ele disse e principalmente a satisfação individual. Saímos às ruas em paradas, em marchas religiosas, mas não saímos para denunciar e cobrar lisura de agentes políticos. Lucidez maior de André Liohn, ao ser interpelado sobre seu receio em perder a vida em alguma frente de conflito. Ele que é casado e é pai de duas crianças pequenas, diz: "Não tenho medo de perder assim minha vida, pois meus filhos saberão a razão pela qual terei perdido a vida". "Saberão que foi por não concordar com a covardia e a hipocrisia  sob as quais nossa sociedade se mantém". Assim, com toda a coragem e lucidez, que deveriam ser a regra e não a excessão, André Liohn nos ensina como de fato deveríamos encarar nossas vidas. Ele não é um revoltado, tentando resolver os problemas do mundo. Ele é um homem lúcido. E completamente honesto e crédulo em sua trajetória diante da vida. Pois esta, e ele sabe, é o maior prêmio que ele até hoje recebeu. Obrigado por suas palavras e por sua inabalável crença no direito à liberdade, André Liohn.

domingo, 22 de abril de 2012

O Desamor


Postei aqui, um poema de amor. Meu deus! O que será um poema de amor? O que será o amor? Mas, o que vejo a todo instante, mais que demonstrações de amor, carinho e compromisso com nossa condição humana, é justamente o contrário. Assistimos, todos nós cotidianamente o "desamor". Em todos os aspectos cada vez mais demonstrações de intolerância, de posse e de total falta de intenção em nos colocarmos no lugar de outra pessoa. Parece que a palavra é "carência". Sim, carência em diversos aspectos de nossa vida. E o suposto amor, que ouvi dizerem não existir. Resume-se a uma convivência simulada entre pares, entre famílias, nem sempre procurando se ajustar e entre pessoas buscando outras apenas como suporte para viver a misterisosa e a incomoda aventura de "viver". É sim, é incomodo viver. Mas é o que temos, a vida. Pessoas buscam por outras com expectativas tão subjetivas que chega a estarrecer. Tem que ser bela. E o que  é beleza? tem que ser "descolada". Talvez aberta a toda e qualquer experiência. E o que é ser descolada? Por exemplo alguém em um automóvel a 120km por hora colidir contra um outro automóvel e tirar a vida de outras pessoas? Alcoolizado. Isso é ser descolado? Pessoas procuram outras para si, apenas para si, fica claro que a intenção primeira é egoísta, tudo bem é da natureza humana. Mas há o suposto amor nessa atitude? Em buscar apenas para nós esse conforto interno em companhia de outra pessoa? Citei alguém alcoolizado cometendo um gesto extremo porque esta pessoa supostamente "ama" seus parentes, sua namorada, essa pessoa deve amar alguém! Menos as pessoas que ela tirou da vida. Estranhos não precisam ser amados. É o que parece estar contido em atitudes de pessoas como esta. Carência, emocional, pois "materialmente" andamos bem. Somos capacitados a nos adaptar, somos animais adaptáveis a praticamente tudo, materialmente falando. Vazios existenciais, provocando relações baseadas em posse. Pessoas sentindo-se proprietárias de outras pessoas e não suportando as separações. Atos extremos são cometidos por isso, por esse nosso limite. Esposas, maridos, namoradas, namorados, filhos sendo abandonados à sua própria sorte. O fundo do poço diante de nós, não. Um poço sem fundo. As pessoas entregando-se às drogas mais pesadas e destruídoras, para a fuga possível. O vazio emocional, a falta de ideais autruístas, o egoísmo. Todos crias de nossas carências. Nossos jogos mentais amadores, pois John Lennon nos propôs jogarmos o verdadeiro jogo de guerrilhas mentais. "Amor é uma flor, Você tem que deixá-la florescer". O amor existe. Eu sei! Mas sou praticamente ridicularizado ao dizer isto. Sinto por aqueles que não o veem ou o sentem. Sinto mesmo! Sou chamado de "louco" por acreditar no inexistente. Sou chamado de "louco" por viver a única vida possível, a vida real. Mas não sou o único. Existem mais loucos como eu. Nossas carências nos levarão ao fim de nosso equilíbrio psicológico e emocional se não nos prepararmos para a vida real, única e possível. Não há para onde fugirmos. Pois como escreveu Lennon..."Amor é a resposta e você sabe disso, com certeza". Se não sabe, trate urgentemente de aprender. Para o seu bem...

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Céu Sobre Nós e Roliver, O Garoto Sonhador


São mais de 16 mil pequenos, de até 10 centímetros, e grandes artefatos de até 3 toneladas, em órbita do planeta. Levados em missões espaciais. São restos de foguetes, são satélites inutilizados. São o "lixo" espacial, vejam até onde conseguimos levar nossa nociva capacidade de poluir. Até as vizinhanças de nosso planeta. Bem! Agora cientistas e especialistas dessa área encontram-se preocupados e traçando uma estratégia para uma faxina espacial, pois todos estes artefatos colocam-nos em risco. Isso mesmo, tem-se notícias de um ou outro objeto que ora é encontrado pelo planeta afora, claro quando  não caem no oceano. Esse ainda nem de todo conhecido por nós, e ousamos, porque é de nossa natureza exploradora, desvendar o espaço sideral. Mas, não desvendamos nosssa "casa" ainda por completo. Então,  a principal agência espacial que conhecemos, tenta minimizar os riscos, diz estar tudo sob controle, mas, sabemos que não é bem assim. E também sabemos qual discurso eles precisam manter para não colocar em pânico a população. Contudo, ouso dizer que um pouco de pânico real faria muito bem nesse momento. O tsunami de 2004 que deixou em torno de 230 mil pessoas mortas, mas mal pensamos em outros animais que perderam também suas vidas. A tragédia provocou comoção, mas vejam como uma grande catástrofe passa por nós e parece que não conseguimos nos ater às suas dimenções. Somos assim mesmo, extremamente egoístas. Nossa comoção tem limites que não vão muito além do nosso umbigo. E depois rapidamente tratamos de providencialmente esquecer. Por que? Por medo, simplesmente por medo de enfrentarmos mesmo as realidades que nos são impostas, porque são várias realidades. Discorri sobre catástrofes naturais e provocadas pelas mãos humanas. O que cair do espaço, construído por nós também será natural, não acham? Uma pessoa enviou para mim uma "sms", ao assistir uma briga na rua, e essa pesoa disse estar se "divertindo" com o que assistia. Confesso que fiquei muito decepcionado. Mas, também nao seria natural nos destruírmos? Não, não quero acreditar que atos e gestos nocivos, sejam alçados à condição de naturais de forma tão simplista assim. Não quero sentir prazer em ver sangue e ferimentos provocados em uma pessoa, por outra. Não! Não quero ver garotos de doze anos, matando-se por ser vitima de bullying em escola, onde deveria ser cuidado e protegido. Não quero ver crimes, de toda natureza serem cometidos com requintes de crueldade; e assistir a tudo com uma sádica e cruel "naturalidade". Fiz de propósito a mistura de temas, há pessoas que dizem que sou muito prolífico em meus textos. Vejo como algo positivo. E falo de tsunamis, lixo espacial, e incertezas, porque estamos simplesmente nos acomodando de uma forma terrivelmente perigosa, quando vidas como a do garoto Rolliver de Jesus deixam de existir por total falta de "humanismo" em nós. Então que venham os tsunamis para varrer de nossas mentes toda a intenção de atos mesquinhos e cruéis. Que a vida seja de fato o maior bem que possuímos e que saibamos guardá-la. A nossa vida e a de nosso semelhante. Não é assim que deveria ser? Fascinante é sermos humanos. Mas, mais fascinante ainda será construírmos a "humanidade" dentro de nós.